terça-feira, 27 de março de 2012

As Três Graças*

* Este é possivelmente o mais longo post deste blog, mas não é cansativo.

Graças, nome latino das Cárites gregas, eram as deusas da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade. Aglaia, a claridade; Tália, a musa da comédia e da poesia; e Eufrosina, a deusa da alegria.
Nas primeiras representações plásticas, as Graças apareciam vestidas; mais tarde, contudo, foram representadas como jovens nuas, de mãos dadas; duas das Graças olham numa direção e a terceira na direcção oposta.
Esse modelo, do qual se conserva um grupo escultórico da época helenística, foi o que se transferiu ao Renascimento e originou quadros célebres como "A primavera", de Botticelli, e "As três Graças", de Rubens.
Sandro Boticelli -A Primavera

Rubens

Mas comecemos pelo princípio, pelas representações do período helenístico




As Três Graças de Pompeia

Depois temos diversas telas da Idade Moderna
Raffaello

Jean-Étienne Liotard

Cranach

Grien
Hans Aushen

Duas esculturas
Bertel Thorvaldsen

Canova

Uma outra escultura portuguesa, que está na Praça de Londres
Fernando Fernandes

Alguma arte contemporânea
Delaunay

Randolphlee-mciver

Lucy Unwin

Marisol Diaz

Algumas "variações"
Leonard Nimoy

Harald Seiwert

Joel-Peter Witkin

Alexandre Mury

Tom of Finland

(autor desconhecido...)

Século XXI
Kehinde Wiley

Promoção da Samsung

A caricatura



E finalmente, a triste realidade

50 comentários:

  1. Parabéns, João, um post muito inteligente na sua composição e estrutura, na escolha das fotografias, a inclusão de outras que, como dizem os italianos "se non è vero è ben trovato" (que me desculpem aqui os italianos por se não o escrevi corretamente) e a progressão face ao final para chegar à triste realidade já desde a máfia.
    Gostei mesmo!
    Um abraço,
    Leo

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  2. Amigo João

    Um post belíssimo, inteligente e de muitissimo bom gosto. Um post esteticamente perfeito e com um enquadramento histórico-cronológico fantástico. Algo que é muito comum por aqui, mas que desta vez me fascinou ainda mais.
    Que belo começo de dia me proporcionaste, meu amigo. Obrigado!
    Um post para ver e rever!
    Um verdadeiro encantamento!
    Um abraço forte!
    Luís.

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  3. não só não é cansativo, como é muito interessante. adorei. adorei tudo: a revisitação dos clássicos, a lição de história de arte, as variações mais ou menos provocadoras, e, claro, o comentário sem palavras. um post fabuloso João.

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  4. desconhecia a sua origem, embora já tivesse apreciado algumas, lindas. a caricatura é que é uma desgraça, com esses estamos feitos. bjs.

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  5. Leo
    tenho que confessar que me foi difícil fazer certas escolhas, não no que se refere aos clássicos (Boticelli, Rubens, Canova, Raffaello, Cranach), mas em relação a todos os outros, pois tinha em mente uma certa linha condutora, que levasse ao objectivo final atingido: a corrupção política e desportiva e o poder do dinheiro na vida actual...
    Abraço amigo.

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  6. Luís
    tive muito medo desta postagem.
    Foi uma postagem "à Carneiro"!
    Pensei, apesar do gozo e do trabalho que me deu, que pudesse ser encarada como algo de um profundo mau gosto, misturar Boticelli com Tom of Finland e com a "troyka", mas afinal há gente que me percebeu...
    Obrigado pelas tuas palavras.
    Abraço amigo.

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  7. Miguel
    acima de tudo deu-me um imenso prazer elaborá-lo.
    Imaginemos isto como um filme: o argumento foi-me sugerido por um blog que vi (variadas representações de "As Três Graças", mas sempre mais ou menos no clássico); as filmagens foram rápidas e impulsionadas pelas alterações que imprimi ao argumento original; o "cast" foi muito divertido, e houve muitos candidatos; tecnicamente apenas alguns cuidados com a apresentação e com o "dono ao seu dono); o maior problema foi editar o filme.
    Tinha "a priori", um distribuidor garantido e quanto a resultados de crítica, volto a referir que embora receoso, a auto produção não me exigia lucros.
    Enfim, um "filme" absolutamente "indie"...
    Abraço amigo.

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  8. Margarida
    essa introdução era necessária, não só para informação da origem da "lenda", que eu próprio desconhecia, como principalmente para permitir a chegada a patamares pouco convencionais, a que o Leo, e muito bem, denominou de "se non è vero è ben trovato"...
    Beijinho.

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  9. Frederico
    foram essas telas de Boticcelli e de Rubens que mais celebrizaram "As Três Graças", juntamente com a escultura de Canova...
    Abraço amigo.

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  10. João.
    Adorei ler este post.
    O que escreveste
    e como o documentaste.

    Claro que apreciei imenso 26ª imagem,
    ou terá sido a 25ª.

    Bom só sei que é aquela...

    João.
    É bom sorrir e é bom refletir.

    Obrigado pela oportunidade.

    Um abraço

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  11. As últimas fotos não têm MESMO "graça" nenhuma...
    :-))))
    Belíssimo post,Pinguim, com música a condizer!
    Abraço

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  12. Pedro
    foi difícil, mas fiquei satisfeito com o resultado...
    Já sei a que fotos te referes - malandreco!
    Abraço amigo.

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  13. Justine
    diria mesmo que são duas fotos de "Três Desgraças"...
    Mas enfim, sonhemos com a Primavera de Boticelli, e com a música de Vivaldi.
    Beijinho.

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  14. E 3 é a conta que Deus fez :D

    Excelente Post.
    Abraço


    P.S. - Provavelmente há uma foto assim das donas de casa desesperadas

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  15. Gostei imenso deste "passeio" pelas 3 Graças, iniciado na Claridade; Comédia e Poesia; Alegria; e terminado na Obscuridade; Trágicomédia; Trisreza.
    Achei todas as imagens interessantes mas confesso que achei a 23ª (Alexandre Mury), muito original. O uso do espelho transformando uma "imagem" em três.Fenomenal!

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  16. White_Fox
    Uiiii. O que mais há são fotos que podiam estar aqui...
    Abraço amigo.

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  17. A ideia foi excelente mas as últimas graças são medonhas desgraças. Beijinhos

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  18. como já te tinha dito ao telefone, gostei quase tanto da tua resposta ao meu comentário quanto do post. um filme indie a merecer o oscar do melhor realizador, sem dúvida.
    abração

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  19. Mary
    pois são; é para vermos como o que é belo, se pode transformar em algo tão "desgraçado"...
    Beijinho.

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  20. Miguel
    e como te disse...foi ao correr da pena...
    Abraço amigo.

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  21. Rosa
    o Alexandre Mury é um artista brasileiro, que tem um interessante blog: http://alexandre-mury.blogspot.pt/
    Beijinho.

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  22. É por isto que adoro cá vir, acabo sempre por aprender mais alguma coisa! Um abraço

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  23. Sérgio
    não se aprende senão uma coisa: partilhar!!!
    Abraço amigo.

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  24. Post sensacional, João.
    Ainda ontem vi o documentário DEUSES E DEUSAS.

    O Falcão Maltês

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  25. António
    obrigado; de vez em quando, lá calha alguma coisa sair bem.
    Abraço amigo.

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  26. Engraçado ver como o padrão de beleza era diferente: todas rechonchudas (não falo dos gajos, que isso passei num repente:D )

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  27. Catso
    ainda não havia ginásios,hehehe...
    Abraço amigo.

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  28. Andei por aqui a tentar perceber...

    A parte final, figuras vestidas de sentimentos estranhos, em contraste com a simplicidade dos corpos nus.

    A beleza não se encontra no espelho do que vemos exteriormente, mas naquilo que somos interiormente

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  29. Luís
    foi esse contraste que eu quis explorar, mostrando como nos dias de hoje, pouco se liga à beleza das coisas, para estarmos mais ligados a (des)graças, que cada vez mais nos ocupam a vida.
    Abraço amigo.

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  30. Muito se pode falar acerca desse famoso quadro :)

    No último post, apenas só digo que me lembram os 3 metralhas lololol

    Cócó, ranheta e facada :P

    Abraço amifo

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  31. Francisco
    eu dava esse nome de preferência aos quatro últimos retratos.
    Abraço amigo.

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  32. Bom dia João.
    Deixo aqui um abraço e queria dizer-te que gostei do "malandreco" a propósito da foto. É ternurento esse "malandreco".
    Obrigado.

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  33. Pedro
    é isso mesmo. Em contraposição com o termo malandro, que é pejorativo, malandreco é uma palavra com alguma ternura.
    Abraço amigo.

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  34. Longo, belíssimo e sagaz! Bravo!
    Para mim, a escultura estremece-me mas os triunviratos antigos e actuais também são de temer.

    Grazie!

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  35. João
    de tudo o que ali está, o que mais gosto é da escultura de Canova - perfeita!
    Quanto aos triunviratos, que se fodam os quatro (triunviratos).
    Abraço amigo.

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  36. Olá João!

    Gostei muito deste post!

    Já conhecia as Graças das aulas de Latim, mas pude assim apreciar a sua história ao longo da História!

    Adorei uma determinada foto, é caso para dizer que as Graças têm Graça! ;)

    Um abraço :3

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  37. Hórus
    obrigado pela tua visita.
    Esta não pretende ser uma amostra de tudo o que se fez sobre "As Três Graças", pois tal seria impossível; claro que as mais representativas estão aqui, e refiro-me às clássicas.
    Quanto às outras foi pôr a imaginação a trabalhar.
    Abraço amigo.

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  38. De três em três, a sucessão de (belas) imagens levou às últimas, num tom crítico e jocoso que adoro! Foi muito inteligente este post! :)

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  39. O que mais me impressionou foi o de Harald Seiwert, as três hermafroditas.

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  40. Mark
    numa linguagem um pouco grosseira,mas que se ajusta, as fotos vieram "de cavalo para burro", hehehe.
    Gostava de fazer mais coisas deste tipo.
    abraço amigo.

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  41. FireHead
    é curioso que és o primeiro e até ver o único que refere essa imagem, um tipo de ilustração que não é nada vulgar e que por isso eu gostei de incluir aqui.
    Abraço amigo.

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  42. Correcção: de Joel-Peter Witkin. :)

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  43. FireHead
    acreditas que nem tinha reparado no engano do nome...
    Como sabia qual era o quadro, não liguei, mas fica feita a devida correcção.
    Abraço amigo.

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  44. Ricardo
    um comentário destes vindo de ti, é mesmo um elogio.
    Beijo.

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  45. Olá João
    agora fartei-me de rir, hehehe...
    Não percebeste o que eu disse no comentário no Google+, aliás, eu depois fiz uma adenda...
    Eu queria dizer, que de futuro, deixasses aqui o comentário, porque às vezes os comentários trazem coisas novas que complementam a postagem.
    De qualquer maneira é muito bom ter-te por aqui pela primeira vez, suponho.
    Abraço amigo.

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  46. Eu, que sou um nabo em arte, fiquei deveras espantado com esta lição de arte. Nunca tinha reparado na coincidência das três graças, na forma como se foram metarmofoseando ao longo dos tempos e como são constantes nos mais diversos estilos. Aprende-se muito por aqui!

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  47. Caro Coelho
    modéstia à parte, esta postagem "saíu-me bem", mas deu algum trabalho de "composição"...
    Abraço amigo.

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Evita ser anónimo, para poderes ser "alguém"!!!