quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um livro, um filme...


“O primeiro amor nunca é fácil. Mas, quando um jovem como Nathan, acabado de chegar a uma pequena cidade, é vítima de abuso sexual por parte do seu pai, o primeiro amor pode ser a única forma de se salvar. No seio de uma família disfuncional, com uma mãe doméstica e um pai alcoólico, Nathan interessa-se pelo seu colega Roy e sonha com ele uma vida livre do constante assédio nocturno do pai: Nathan sente-se mais seguro sabendo que Roy está na casa ao lado e ainda mais seguro quando está com ele. Ao estudarem álgebra lado a lado na cama, uma coisa leva naturalmente à outra.

E é nessa pequena cidade rural do Louisiana, no sul profundo americano, nos meados do século passado, cheia de preconceitos que Nathan e Roy têm que esconder o seu amor dos amigos, da igreja e da família. Mas isso é fácil para Nathan que está habituado a guardar segredos; o jovem apenas tem medo do segredo que sempre escondeu, mesmo de Roy – a terrível verdade acerca do seu pai que faz a sua vida impossível. Ao fugir de casa uma noite com Roy, Nathan apenas tem uma certeza, a de que nunca voltará.”

Esta é, na essência, a trama do segundo livro de Jim Grimsley, “Rapaz de Sonho” e com o qual o autor conquistou o Lambda Literary Award, na categoria de literatura, em 1966.

Sendo eu, infelizmente um leitor não muito assíduo, peguei neste livro que adquiri o ano passado no S.Jorge, durante o Queer 12. E li-o quase de um fôlego…Apenas tive dificuldade em compreender totalmente o final do livro, pois o autor propositadamente não é linear e deixa o leitor no campo das suposições, quanto ao seu desfecho.

Procurando no Google, referências para este post, sou surpreendido com o aparecimento de um post (que eu até tinha comentado) no blog “Ovelha Tresmalhada” precisamente sobre este livro e de um outro post do blog “Maurice” (por onde andas tu, que fazes falta na blogofera…), sobre o filme “Dreamboy”, baseado neste livro. Fiquei surpreso e mais espantado fiquei de já ter sacado o filme, que apenas carecia de ser visto; e assim, pela primeira vez tive oportunidade num espaço de 24 horas, de ler um livro e ver o filme baseado no mesmo.

Claro que uma adaptação cinematográfica é sempre difícil e geralmente “perde”para o livro; mas acima de tudo estava ansioso por saber se o filme me faria entender melhor o final do livro; pura ilusão, pois a ambiguidade mantém-se…

Não me desiludiu de forma alguma o filme, realizado em 2008 por James Bolton, mas esperava encontrar no filme intérpretes fisicamente mais adequados às personagens que o livro me mostrou; aí acho que não correspondem exactamente aos protagonistas do livro de Grimsley. Uma palavra para toda a música do filme, muito boa, como se pode perceber pela belíssima canção do trailer do filme.

32 comentários:

  1. já li o livro há uns anitos e gostei imenso. aliás na mesma editora estão editados mais livros do autor, que eu muito aprecio. já 'tropecei' no filme por aí, mas nunca me dispús a vê-lo. se calhar está na altura. abraço

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  2. Miguel
    o filme não será uma obra prima, mas tem o seu interesse, principalmente para quem leu o livro, como é o teu caso.
    Abraço amigo.

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  3. Já li o livro há alguns anos, que, na altura, devo confessar, não me entusiasmou muito. O final é um pouco desconcertante, e pareceu-me pouco conseguido, mas também não saberia aranjá-lo de forma diferente (isto é, fá-lo-ia, mas seguramente nunca de forma a competir com o original!).
    O filme ainda não vi, mas fiquei algo curioso. Vou tentar ver.
    Abraço João e obrigado por me trazeres tanta informação

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  4. Pronto, lá vou chorar que nem uma Madalena outra vez.

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  5. Manel
    o final tem realmente múltiplas interpretações; eu que não acredito em ressurreições, apenas vejo o lado onírico da questão.
    Gostei de ler no fórum do IMDB as opiniões acerca deste final, nenhuma absolutamente conclusiva.
    Abraço grande.

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  6. Olá Filipe Miguel
    talvez não; o filme (e o livro, claro), não é lamechas, é apenas o retrato de uma sociedade rural americana em meados do século passado.
    Obrigado pela tua visita.
    Abraço.

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  7. De facto o livro é muitooo bom, gostei imenso de o ler e quanto ao final acho que era o possivel.
    Pena é que este tipo de filmes nunca parem pelas nossas salas de cinema e seja particamente impossivel comprar o filme em DVD, ou serei eu que não sei como os encontrar?
    Está para vir outro grande filme o "Prayer's for Bobby" que já se pode ver no YouTube e espero ve-lo nas salas de cinema.
    Obrigado pelo trailer.

    Tiago

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  8. Pinguim, obrigado pelo alerta. Li o livro e gostei qb. E não sabia que tinha filme.

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  9. Gostei bastante do trailer, mas como referes que não há muita coisa que corresponde abre o apetite para ler o livro.

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  10. Olá Tiago
    obrigado pela visita. Realmente estes filmes raras vezes têm exibição comercial e poucos são editados em DVD; resta sacá-los e para isso há bastantes sites com títulos muito interessantes; curiosamente este filme que aparece em quase todos esses sites, está sempre falado em inglês (mas com um som por vezes pouco audível), mas com legendas em alemão, o que "distrai um pouco a atenção. Só num site consegui a versão original...
    Se estiveres interessado, dar-te-hei informações sobre esses sites.
    O "Prayers for Bobby" (muito bom), é editado certamente em DVD e até poderá ser exibido comercialmente, pois tem a Susan Sarandon num magnífico desempenho.
    Abraço.

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  11. Olá André
    sucedeu-te o mesmo que a mim...Mas eu tinha cá o filme para ver de imediato e tem muito interesse comparar.
    Abração.

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  12. E tens mais um filme muito bom, brasileiro, "Do Começo ao Fim", podes procurar no YouTube o trailer.

    Tiago

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  13. Ricardo
    como é normal o livro é sempre melhor que o filme, apesar de este ser bastante interessante.
    Abraço amigo.

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  14. Tiago
    já vi o trailer e até mais uma cena ou outra desse filme, que quero mesmo ver, mas ainda não "apareceu" completo em lado nenhum.
    Estava convencido que iria vê-lo no Queer, mas não fez parte da selecção.
    Abraço.

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  15. Pinguim, a música do filme promete bastante. Só que, após algum tempo na Net, dei-me por vencido. Por mais que pesquisasse, não encontrei nada relativo ao 'soundtrack' do filme. No site oficial do filme (http://www.dreamboythemovie.com/) apenas existe um Email. Talvez a partir daí se obtenham mais dados.
    «Sendo eu, infelizmente um leitor não muito assíduo» infelizmente também sofro desse 'problema'. Internet e TV acabam por consumir demasiado tempo, sobrando muito pouco para ler.

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  16. Mais um livro a juntar à estante! Obrigado:)

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  17. Fiquei cheio de curiosidade e interesse pelo livro e pelo filme. Já estão na minha "to do list" assim como o documentário "Chris & Don"! Se continuares a divulgar coisas boas ou prometo contunar com post lamechas. Deal?
    Abraço

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  18. Blue
    talvez este vídeo te ajude sobre a música do filme
    http://www.youtube.com/watch?v=55lpznZq5SA
    Abraço amigo.

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  19. Little John
    se fores como eu, qualquer dia não te cabem na estante...
    Abraço amigo.

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  20. Bastante curioso... Há muitos anos atrás, um dos primeiros livros LGBT com os quais me cruzei foi este. Nunca cheguei a lê-lo nem vi o filme mas fiquei com curiosidade em vê-lo...
    Abraço

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  21. X
    os teus posts não são lamechas, eu é que sou...E sou demasiado sensível; pronto não há nada a fazer!
    Abraços grandes.

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  22. Luís
    eu confesso que fui um pouco seduzido pela capa, pois não tinha referências nenhumas sobre o autor; agora quero ler algo mais dele...
    Abraço amigo.

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  23. Pinguim tu já sabes cinefilo como sou, já vou ter que colocar este filme na minha lista de filmes a ver. Mas primeiro vou ver se arranjo o livro. ihihihi :)

    Abraço!

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  24. Caro Pedrosense
    acho bem que leias o livro (é da Editorial Teorema) e logo de seguida visiones o filme, pois assim poderás fazer uma analogia muito interessante; ficarei atento ao que disseres sobre o assunto.
    Abraço amigo.

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  25. Pinguim, li 'Maurice' e, por uma sintonia que soi ocorrer em algumas ocasiões entre conhecidos (no caso, entre você e eu, se me permite), tornei a rever o filme há poucos dias. E me emociona ainda. Estive aqui há dois dias e por várias vezes comecei a assistir a este vídeo e tantas vezes fui interrompido pelo estalido do telefone (trabalho em casa). De forma que deixei para depois e depois e somente agora volto, já sem o impulso inicial que tinha quando havia recém-revisto "Maurice". Não importa. A emoção é a mesma. E a cada vez que assisto um filme aqui neste teu espaço, fico estasiado por ver essas poesias fílmicas e verbais. Vou roubar o nickname de outro colega, já conhecido. Abraço-te!

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  26. Redneck
    o livro e o filme "Maurice" marcaram muito toda um época, pois abriram portas até então fechadas.
    Mas este "Dreamboy" surge já com as portas bem abertas e se foca o mesmo tema, fá-lo numa perspectiva bem diversa, já que o protagonista é assassinado e "ressuscita" mas apenas o vê o seu amado; é um final onírico.
    Não entendi o que queres dizer sobre o nick, desculpa...
    Abraço grande.

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  27. Oi Pinguim, é que tomei de empréstimo o 'Abraço-te' do blog homônimo. Muito me agrada esse nome. Fiz a referência equivocada a 'nick'. O nome 'Abraço-te' me sugere um abraço coletivo pela blogsfera de forma que nos abracemos a todos virtualmente. E hoje, sábado, me lembrei de você e seus conterrâneos: recebi, sob encomenda de Portugal, o livro 'Os Contos de Cantuária', de Geoffrey Chaucer. No Brasil, há um péssimo hábito de os livros esgotarem-se no catálogo das editoras e não serem reeditados (a baixa tiragem, dizem, não justifica uma reimpressão). De forma que recebi o citado livro de uma editora portuguesa - Publicações Europa América). Assim, abraço-te novamente!

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  28. Meu caro Redneck
    todos os pretextos são bons para se dar um "abraço"; e há abraços que têm um alcance bastante para além do que o simples significado da palavra...
    Também eu gosto muito desse nick!
    E para não abusar dos abraços, hoje envio-te um beijo, pode ser?

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  29. Eu adorei o livro e tenho receio que o filme não faça juz ao mesmo! A ver vamos, tenho que conferir! ;)
    Abraço

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  30. Félix
    um filme nunca "chega" ao livro, mas mesmo assim, está muito razoável.
    Abração.

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  31. Which came first? chicken or the egg

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  32. Anónimo
    gostaria que não fosses anónimo, mas que hei-de fazer?
    Acho que num caso de adaptação de uma obra literária ao cinema, a questão não se põe - é sempre primeiro o livro.

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Evita ser anónimo, para poderes ser "alguém"!!!